Autoavaliação: mais uma etapa na melhoria do cuidado

ESPECIAL QUALIDADE PERCEBIDA

O objetivo é promover uma reflexão direcionada em torno da qualidade do serviço

Autoavaliação: mais uma etapa na melhoria do cuidado

ESPECIAL QUALIDADE PERCEBIDA

O objetivo é promover uma reflexão direcionada em torno da qualidade do serviço

A instituição que deseja passar por um processo de acreditação precisa, em primeiro lugar, identificar seus pontos de melhorias e traçar um plano de ação para que, no momento da visita de avaliação, esteja em conformidade com os padrões exigidos pela metodologia escolhida. Mas, mesmo que essa etapa tenha sido feita com todo o rigor, e em alguns casos até com o suporte de processos de auditoria interna ou de diagnóstico organizacional externo, ainda paira nos responsáveis pela área de qualidade aquela insegurança sobre um ou outro aspecto.

Uma ferramenta tem ajudado nesse processo. Trata-se da autoavaliação, já utilizada por metodologias como Qmentum e ACSA. O coordenador científico e de qualidade da anestesia da CMA Anestesia, Leopoldo Muniz da Silva, utilizou a ferramenta de autoavaliação durante o processo de acreditação e considera que ela serviu como um guia passo a passo.

“A autoavaliação nos mostra uma direção do que precisa ser feito e, à medida que as melhorias vão acontecendo, deixa evidenciado para os avaliadores as ações. Assim, não é preciso esperar uma próxima visita para que aquela melhoria seja percebida”, afirma. Ele ainda completa dizendo que a ferramenta possibilita feedback mais interativo dos avaliadores para a instituição.

Um exemplo de melhoria identificada pela CMA Anestesia com o processo de autoavaliação foi na comunicação com os pacientes. Para atingir o padrão exigido pela metodologia, eles redesenharam o fluxo do paciente anestésico do ponto de vista do próprio paciente.

“Para que ele entenda melhor o processo e possa interagir de maneira mais consciente e participativa no procedimento anestésico, nós precisávamos dar informações mais claras”, observa Leopoldo Muniz da Silva. Para isso, foram feitas melhorias no site, que passou a apresentar informações referentes ao fluxo do cuidado e a todas as etapas do procedimento anestésico.

Vivian Giudice, diretora de Planejamento e Controle do IBES, explica que a ferramenta de autoavaliação permite uma mensuração de desempenho pela própria instituição. Dentro da metodologia da ACSA, a autoavaliação é uma etapa obrigatória, feita em sistema informatizado.

“Ela permite que a instituição faça uma reflexão direcionada em torno da qualidade de sua estrutura, dos processos e dos resultados de sua prestação de serviço”, afirma. Para isso, a ferramenta disponibiliza itens que mapeiam e direcionam o que deve ser avaliado.

“As instituições passam a entender claramente os padrões que devem atender e como atendê-los”, completa. As vantagens, no entanto, também se estendem aos avaliadores. Segundo Vivian Giudice, a autoavaliação permite a esses profissionais uma prévia análise crítica frente ao resultado da autoavaliação; contato com as evidências 30 dias antes da avaliação in loco; melhor direcionamento da visita de acreditação para agregar mais valor à instituição; maior transparência, clareza e assertividade na apuração e análise das evidências no processo de acreditação, entre outras.

A metodologia Qmentum também oferece uma ferramenta de autoavaliação, elaborada em cima dos padrões exigidos em seu processo de acreditação. No entanto, essa não é uma etapa obrigatória. Mesmo assim, Daniela Akemi, gerente de Operações Qmentum International IQG, a considera relevante. “Ela permite identificar possibilidades de desenvolvimento e sugerir recursos para melhoria antes de passar pela visita de acreditação”, afirma.

A ferramenta é preenchida por escala de frequência (sempre, muitas vezes, às vezes, raramente e nunca) ou em escala de concordância (concordo totalmente, concordo parcialmente, indiferente, discordo parcialmente e discordo totalmente). Daniela Akemi explica que o instrumento sugerido pela Qmentum propõe que, pelo menos, cinco pessoas preencham a avaliação. O objetivo dessa metodologia é comparar os resultados para verificar se há discrepância entre as respostas.

Tanto a ferramenta proposta pela ACSA quanto a sugerida pela Qmentum são simples e não precisam de grande capacitação para serem preenchidas. Vivian Giudice explica que, no caso da ACSA, a instituição recebe um treinamento gratuito aplicado aos gestores para manusear e preencher a ferramenta da forma correta. “Não é necessário consultoria ou preparo prévio”, diz. Já as instituições que optam pela ferramenta da Qmentum recebem orientações iniciais explicando o objetivo, o que fazer com o resultado e os critérios que serão considerados.

MODELOS DIRECIONADOS

Segundo Daniela Akemi, outra possibilidade é o desenvolvimento de autoavaliações próprias com base em seu objetivo. “Se eu quero desenvolver um gestor clínico, por exemplo, posso criar um roteiro onde vou colocar questões relacionadas a estratégia, desenvolvimento de equipe, indicadores de desempenho, entre outros aspectos. O mesmo pode ser feito caso eu queira desenvolver a equipe da linha de frente. Nesses casos, aplicamos a autoavaliação nas pessoas envolvidas para identificar pontos de melhoria”, observa.

Esse modelo de autoavaliação própria, para Daniela Akemi, é o mais indicado para quem ainda não está no processo de acreditação, mas deseja alcançar melhorias na qualidade do serviço. Ela ressalta, porém, que a instituição deve conhecer bem seu objetivo e ser capaz de interpretar o resultado. “Quais serão os próximos passos após a autoavaliação? O que a instituição fará com aquelas informações? Isso precisa estar claro”, diz.

OUTRAS METODOLOGIAS

Além de Qmentum e ACSA, a Joint Commission também dispõe de ferramenta de autoavaliação semelhante às descritas, conforme informa o Consórcio Brasileiro de Acreditação, responsável pelas certificações da metodologia americana no Brasil.

Já a Organização Nacional de Acreditação não utiliza programas de autoavaliação e não os propõem às Organizações de Saúde. “O assunto tem sido discutido no âmbito interno da ONA, porém em fase ainda muito embrionária”, diz Péricles Góes, superintendente técnico da ONA.

A metodologia NIAHO/DIAS também não oferece uma ferramenta específica de autoavaliação. No entanto, avalia o processo de auditoria interna das instituições que se submetem ao seu processo de acreditação. “Nós avaliamos se elas estão auditando não só o sistema de gestão da qualidade, mas a qualidade assistencial”, explica Eduardo Ramos Ferraz, healthcare coordinator da DNV GL.

A auditoria interna é um requisito dentro da metodologia NIAHO. Algumas das metodologias de acreditação, incluindo ONA e NIAHO/DIAS, têm ainda uma etapa opcional anterior, que é o Diagnóstico Organizacional.

Por Julia Duarte - Ago/2018
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