Hospitais eliminam sala de espera e ganham aprovação de pacientes

Conheça o projeto desenvolvido no Texas, nos Estados Unidos, pelo Design Institute for Health

Hospitais eliminam sala de espera e ganham aprovação de pacientes

Conheça o projeto desenvolvido no Texas, nos Estados Unidos, pelo Design Institute for Health

No primeiro instante pode causar estranheza entrar em um hospital e ser encaminhado direto para atendimento, em uma sala de exames, sem nem mesmo passar pela sala de espera. Essa é a proposta da Design Institute for Health, uma escola formada por uma equipe multidisciplinar de especialistas em design de saúde com engenheiros, artistas, desenvolvedores e cientistas sociais, com sede no Texas, nos Estados Unidos. O projeto é resultado de uma parceria entre a Dell Medical School e a Escola de Belas Artes da Universidade do Texas em Austin.

O instituto propõe um novo olhar para a arquitetura e a construção de hospitais. Um dos projetos pioneiros do instituto que está sendo colocado em prática, aboliu salas de espera. “Acreditamos que a sala de espera atende as necessidades da instituição, não do paciente. É uma maneira de criar um ‘reservatório’ de pacientes para aumentar o fluxo de enfermos pelo sistema. Assume que o tempo do pessoal clínico é mais valioso do que o tempo dos pacientes. Essa não é uma visão de design centrada nos seres humanos, que é a que orienta todo o nosso trabalho”, explica José Colucci Jr, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do Design Institute for Health, mestre em design industrial e doutorado em engenharia biomédica pela Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

Coucci Jr. também conta que o projeto é bem aceito por quem o usufrui e que nas clínicas na UTHA, onde foi implantando esse modelo, o paciente é encaminhado para a sua própria sala de exame assim que chega, para onde se desloca uma equipe de especialistas com enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, médicos e assistentes sociais, conforme a necessidade do paciente. A arquitetura da clínica e os sistemas foram concebidos para atender a esse modelo.

Se, devido a alguma emergência, o paciente precisa esperar pela equipe, o intervalo é utilizado para uma comunicação direcionada e educativa. “Usamos esse tempo para a educação do paciente, que pode ver vídeos ou examinar a sua própria ficha médica no computador. Um de nossos princípios é estimular os indivíduos a serem responsáveis por sua própria saúde. Outro é a transparência. Damos ao paciente total acesso às próprias informações. Esse tratamento é aplicado a todos, sem distinção. O paciente pobre, que depende da ajuda do governo, é tratado no mesmo ambiente e ao mesmo nível de serviços do que o paciente que tem com um seguro comercial caro” diz.

Apesar do projeto ser assertivo no quesito cuidado com o paciente, José Colucci Jr. revela que o novo modelo não deixei o atendimento mais curto – pelo contrário, as visitas podem ser mais longas do que o habitual. . Ainda assim, ele acredita que o ganho acontecerá a longo prazo. “Agilidade e maximização do fluxo de pacientes nunca foram o objetivo. A consulta típica em nossas clínicas dura mais do que uma consulta médica normal, pois o paciente pode ser visto por vários especialistas em uma única visita. A visão é de longo prazo. Podemos gastar até mais em um primeiro momento, porém acreditamos que o custo total de tratar o paciente será menor no longo prazo. Um objetivo importante que buscamos alcançar é medir a nossa performance em cada etapa do processo e convencer as empresas de seguro médico, o governo (nos EUA, o Medicare e Medicaid) e os demais financiadores que essa é uma maneira mais eficiente de encarar os problemas da saúde no século XXI. Se antes os maiores problemas eram as doenças infecciosas e os casos agudos, hoje os grandes problemas são as doenças crônicas, como a diabete, a obesidade, a pressão alta, as doenças mentais, entre outras”, ressaltou.

O diretor de pesquisa e desenvolvimento do Design Institute for Health ainda relata que, por meio de uma apuração, foi possível medir o nível de satisfação de paciente e dos profissionais que trabalham nos locais onde esse sistema foi implantado. “As pesquisas que fizemos até agora indicam uma excelente avaliação por pacientes, o que seria de se esperar. Mas a melhor constatação foi o alto índice de aprovação também pelo corpo clínico. A Dell Medical School foi concebida desde o início para ensinar e praticar um tipo diferente de medicina, baseada em valor a longo prazo e não na maximização das intervenções de curto prazo. Conseguimos com isso atrair um tipo de profissional aberto a inovações, e já um tanto desapontado com a maneira tradicional de se praticar medicina”, disse.

A maioria dos projetos do Design Institute for Health foi desenvolvida no Texas, em outros estados norte-americanos e também em outros países, como Singapura. Em todas as iniciativas, a abordagem é semelhante: utilizar o design para resolver desafios sistêmicos da saúde – um casamento, a princípio, improvável,  mas com potencial para trazer novos olhares e práticas para todo o setor.

Por Raphaela Cunha - Ago/2019
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